MÚSICA E VÔO
Isaías 40.26-31
"mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão: andarão, e não se fatigarão"(v.3).
Já faz algum tempo um velho amigo, professor de História, bateu em minha porta trazendo alguns convites para ir ao Teatro Municipal no Rio de Janeiro, assistir a um concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira, com o que prontamente concordei.
Ao chegar ao Teatro fiquei extasiado com a beleza arquitetônica, enquanto meu amigo me explicava que o Municipal era um réplica em miniatura
da Ópera de Paris. Mal podia me conter para o início do espetáculo.
Quando os primeiros acordes ressoaram na sala, a música passou a nos embalar, fazendo
o coração galopar sob a regência do maestro. Até que, repentinamente, a música cessou. Eu e parte da platéia rompemos entusiasmadamente em aplausos,
frente ao olhar reprovador da outra parte dos espectadores. Mas, espere... algo estava acontecendo. O regente abria os braços,
como se estivesse na iminência de levantar vôo, e no momento seguinte, embalados pela melodia, descobrimos o que era voar.
Naquele dia aprendi que a pausa não significa que a música terminou, ela acentua a harmonia que está por vir. Na música
e na vida é preciso paciência para não confundir pausa com acorde final.
Ao nos depararmos com as circunstâncias inconc1usas da vida vale lembrar que o inacabado, sejam histórias, projetos ou
sonhos não encerram as melodias de Deus que podem ecoar na minha e na sua vida, mas tantas vezes são tão somente pausas.
E aqueles que se submetem à condução do Soberano Regente, e "esperam no Senhor... subirão com asas como águias".
Extraído do Manancial nº 4 - UFMBB