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HISTÓRIAS QUE FALAM AO CORAÇÃO

Era uma casa fria, de chão batido, de uma claridade sombria, o ar turvo (se é que ar tem cor). Tudo era tão frio, como frio eram os sentimentos dos que ali moravam. Era uma casa, apenas uma casa. Ali não existia um lar, porque o lar é um lugar de alegria, de aconchego, de brilho no olhar. O olhar dos que ali viviam era sem brilho e distante. Os relacionamentos precisavam ser estreitados. Não havia cumplicidade, nem comunicação entre os membros daquela família. Os que ali chegavam percebiam essa coisa estranha no ar.

A filha crescia sem viver sua fase de transição. Uma hora queria ser criança, em outra jovem madura. Não confiava nos pais, nem nos amigos. O filho passava o dia na faculdade, com sua turma, chegando em casa apenas para dormir. O pai, por sua vez, era um homem calado, fechado, sisudo, mas só em casa, pois com os amigos e colegas de trabalho era sempre sorridente. A mãe tentava, na medida do possível, tornar o ambiente mais agradável e acolhedor.

Na casa tudo era triste e ninguém levava um fio de alegria àqueles corações. Mas algo inesperado aconteceu. O rapaz conheceu uma jovem por quem se apaixonou. E aquela jovem morava numa casa que era um verdadeiro lar. Família alegre, companheira, comunicativa, com brilho no olhar.

A primeira vez que ela foi visitar a família do namorado, a mãe deste fez uma deliciosa torta para o lanche. Ao receber o seu pedaço, a jovem disse:

- Posso agradecer?

A mãe do rapaz respondeu:

- Agradecer a quem, filha? Faço essa torta constantemente. Não precisa agradecer, espero apenas que você goste e que aprenda a fazer para meu filho.

- Quero agradecer a senhora, mas principalmente Àquele que forneceu todos os ingredientes, lhe deu sabedoria, saúde e amor para fazer uma torta tão bonita e deliciosa.

Então a mulher disse:

- Mas fui eu mesma quem comprou os ingredientes. Pare com isso e coma logo essa torta.

A moça segurou a mão do namorado e da sua mãe e disse:

- Apenas fechem os olhos e ouçam a quem vou agradecer.

E continuou:

- Senhor Deus, tu que criaste todas as coisas, o sol, a chuva, o vento, o trigo, o homem para plantar, para industrializar, a força e o talento para esta senhora fazer uma torta tão gostosa, receba a minha gratidão por tudo isso. Eu te agradeço em nome de Jesus. Amém! Agora, posso comer!

O namorado e a mãe ficaram refletindo sobre aquele momento tão singular em suas vidas. A dona-de-casa ficou intrigada com aquela jovem e perguntou onde havia aprendido aquilo. Então a jovem aproveitou para dizer que nasceu num lar cristão e que, além de seus pais, o Senhor Deus é quem comandava a sua casa. Ela cresceu conhecendo Deus, pois sempre era levada à igreja, onde podia adorar, louvar e glorificar o nome de Deus, além de ter comunhão com os irmãos em Cristo. Ela ainda disse que iria levar a irmã do seu namorado para conhecer a JCA, organização da qual fazia parte.

Não demorou muito para que toda aquela família conhecesse Jesus e o aceitasse como Salvador e Senhor.

Um dia aquela jovem levou sua cunhada para um acampamento de JCA. Uma missionária foi convidada para dar o seu testemunho de como aceitou a Jesus e como sentiu o chamado para falar de Jesus a outras pessoas. Quando foi feito o apelo, aquela jovem, que pela primeira vez tinha ido ao acampamento, foi à frente e disse:

- Senti que Deus está me chamando para uma obra especial. Preciso contar ao mundo que Jesus me transformou. Quero resplandecer como as estrelas! Quero mais conhecimento, sinto que preciso me preparar para anunciar o Evangelho a qualquer pessoa, em qualquer lugar. Jesus perdoou meus pecados, Ele me transformou, por isso quero viver para sua glória.

Ao voltar para casa e contar sua experiência, lágrimas de alegria correram pela face da sua mãe. Aquela casa já não era a mesma. Havia um clima diferente, calor humano, gestos de carinho, atitudes de cooperação. As manifestações de amor, o brilho nos olhos, o sorriso nos lábios, a certeza de corações felizes, tudo mostrava o agir de Deus na vida daquela família. Naquele lugar havia mais que uma casa; era um lar, doce lar.

O rapaz sentiu o chamado de Deus para o seminário. Depois de consagrado, pastoreou várias igrejas, auxiliado pela esposa que lhe indicou o caminho. A jovem casou-se com um missionário e ambos estão engajados em Missões Mundiais.

O pai abandonou o lar, mas continua recebendo a atenção dos filhos que aguardam o momento em que ele irá se reconciliar com Deus.

A mãe tornou-se mais alegre e feliz, vivendo para servir ao Senhor e influenciando vidas a conhecer e aceitar a Cristo como Salvador.

Tudo porque uma jovem, serva do Senhor Jesus Cristo, membro da JCA, resolveu resplandecer como astro no mundo.

Elizete Fragoso da Silva - Extraído da Revista Desafio Missionário 4T09 - UFMBB


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